Martim Pescador Grande

Nome popular: ararimba-grande (Pará), matraca (Rio Grande do Sul), caracaxá, martim-cachá, martim-cachaça, martim-grande e matraca.

Nome científico: Ceryle torquata

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Coraciiformes

Família: Alcedinidae

Gênero: Ceryle

Distribuição Geográfica: ocorre do México à Terra do Fogo, toda a América do Sul. Executa migrações na Amazônia.

Habitat: vive em grandes rios, lagos, lagunas, manguezais e à beira-mar, sempre que houver barrancos ou rochas em que possa nidificar.

Comportamento: sua voz é penetrante e atrai a espécie de longe; ao voar repete esse grito a intervalos regulares, razão pela qual se pode bem calcular a sua chegada. Pousa sobre árvores altas, mortas, e pedras à beira d’ água. Passa de ilha em ilha, aparece em pequenas poças que descobre durante seus longos voos, chega a sobrevoar serras e cidades, executa migrações locais na Amazônia. Pousado em um galho sobre a água ou voando no mesmo lugar (“peneirando”), observa a água abaixo e lança-se como uma flecha sobre os peixes, mergulhando parcial ou totalmente. Com a presa no bico, voltam ao mesmo pouso (ou a um outro galho ou barranco próximo). Antes de engolir o peixe, batem-no várias vezes. Com isso matam ou deixam tonta a presa, retirando também as barbatanas mais rígidas. Ingerem os peixes iniciando pela frente e terminado pela cauda. Chegam aos pontos de pesca no amanhecer, vindos de uma área de dormida mais distante, em voos muito altos, ao contrário das demais espécies. Anunciam sua passagem e chegada com gritos fortes e penetrantes, repetidos, semelhante ao som de uma matraca. Esse grito também é usado, junto com rápidos movimentos sincronizados de cabeça e cauda, para afastar outros martins-pescadores do seu território de pesca ou para dar alarme da presença de algo estranho.

Características gerais: é inconfundível pelo porte avantajado, bico enorme (8cm), às vezes com matizes encarnados, assemelhando-se ao de um um socó. Partes inferiores (na fêmea, também as coberteiras inferiores da cauda) castanhas; a fêmea e o macho novo possuem uma faixa cinza-azulada no peito; garganta branca. Além do tamanho, destaca-se dos demais pelo tom cinza azulado da plumagem do dorso e alto da cabeça, fazendo forte contraste com o colar branco e a barriga avermelhada. No peito, a fêmea possui uma faixa cinza azulada separando a garganta da barriga, separação ausente no macho. O longo bico pontudo é utilizado para apanhar os peixes dentro d’água.

Hábitos alimentares: alimenta-se de peixes.

Reprodução: solitário a maior parte do ano, no período de baixa das águas acasalam-se e voam com o par. Os ninhos são feitos em buracos nos barrancos do rio, expostos pela vazante das águas. Quando o número de casais supera a oferta de locais de ninho, aceita a proximidade de outros na área de reprodução, embora isso não seja verdade nas áreas de pesca. Entre agosto e outubro são vistos pousados nas raízes saindo dos barrancos, próximo da entrada do ninho. Macho e fêmea chocam de dois a quatro ovos, cuidando juntos da alimentação da filhotada.

Curiosidades: a maior espécie de martim-pescador no Pantanal.

Ameaças: os proprietários de pesqueiros não acham nada agradável a visita do martim-pescador, mas é necessário o mínimo de sacrifício para evitar a destruição dessa espécie, pois seu habitat natural está desaparecendo com aterros de cursos d’água, pela poluição e presas saturadas de inseticidas.

Referências:

SICK, Helmut. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 474.

Guia de Aves. Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/149.htm. Acesso em 12/07/2009. 

Embrapa. Disponível em: http://www.faunacps.cnpm.Embrapa.br/ave/matraca.html. Acesso em 12/07/2009.

Crédito das imagens:

http://farm3.static.flickr.com/2409/2359101711_1c26840b84.jpg.

Acesso em 04/07/2009.

Foto do diorama: Paulo Barbuto.

Elaborado pela Prof.ª Margarete da Penha Sevilha.