Nome popular: bugio, guariba, barbado, macaco-uivador
Nome científico: Alouatta fusca
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primata
Família: Atelidae
Gênero: Alouatta
Distribuição geográfica: Brasil (sul da Bahia até o Rio Grande do Sul) e parte da Argentina (ao norte, região de Missiones).
Habitat: mata Atlântica. Seu habitat costuma variar, correspondendo a florestas montanhosas tropicais úmidas ou vegetação mais aberta como a caatinga, cerrado, babaçual ou de araucária (Araucaria angustifolia). Gosta muito de matas densas e que geralmente estejam próximas de rios ou de lugares úmidos. Não se entusiasma com áreas secas e próximas do homem.
Comportamento: vive em bandos de 4 a 12 animais (há relatos de bandos de até 45 animais) de diversas idades e sexos (30% machos e 40% fêmeas), guiados por um macho velho que é chamado de “capelão”. É quieto, preguiçoso e manso. A maior parte do tempo fica no alto das grandes árvores (estrato arbóreo de 10 a 20m de altura), descendo apenas para tomar água e atravessar rios. Descansa aproximadamente 2/3 do dia. Costuma parar durante horas nas árvores de alimentação. A mãe é extremamente cuidadosa e carinhosa com seus filhos, que trazem no colo ou em suas costas. Caso necessitem saltar, e o salto é grande demais, um dos adultos atravessa e, utilizando os membros, fixa-se como uma ponte, por cima do qual passam todos. É animal que não sobrevive em cativeiro.
Características gerais: maior primata neotropical; pode atingir até 9kg de peso e 30 a 75cm de comprimento; pelagem varia de tons ruivo, ruivo acastanhado, castanho e castanho escuro; famoso pelo seu grito que pode ser ouvido em toda a mata; é corpulento e ágil. Possui uma cabeça maciça, queixo barbado, principalmente no macho velho cujo pescoço se avoluma em demasia, devido ao osso característico. A cauda (considerada como quinto membro) apresenta uma musculatura desenvolvida, com sua porção inferior da ponta desprovida de pelos e dotada de grande sensibilidade. Isso contribui para o bugio pendurar-se, trepar ou, mesmo, segurar objetos, e como órgão de equilíbrio durante a movimentação pelas árvores. Sua cauda preênsil pode atingir 80cm. O filhote fica agarrado às costas da mãe durante os primeiros meses.
Hábitos alimentares: folhas, flores, brotos, frutos e caules de trepadeiras e, eventualmente, pequenos animais. Em cativeiro alimenta-se de frutas diversas, verduras e iogurte. O horário habitual de alimentação é ao amanhecer e ao pôr-do-sol.
Reprodução: o bugio não possui estação reprodutiva, costuma reproduzir o ano todo. O macho atinge a maturidade sexual entre 4 e 5 anos e a fêmea somente aos 6 anos. Dá à luz a apenas 1 filhote, que é gerido durante o período que vai de 180 a 194 dias aproximadamente. Costuma nascer pesando cerca de 120 a 130 gramas. O desmame ocorre entre 1,5 a 2 anos.
Expectativa de vida: aproximadamente 20 anos em vida livre. Pouco se sabe, pois trata-se de animal que não se adapta bem ao cativeiro.
Curiosidades: na Alemanha é chamado de brullaffe e na Espanha, de mono aulador. Na língua tupi-guarani, “guár-ayba”(guariba), que quer dizer indivíduo feio e ruim. Existem 4 espécies e 9 subespécies de Bugios. Espécies: A. seniculus, A. belzebul, A. cayara e A. fusca. Subespécies: A. s. seniculus e A. s. straminea; A. b. belzebul, A. b. discolor, A. b. nigerrima e A. b. ululata; A. c. caraya; A. f. fusca e A. f. clamitans. Alouatta fusca clamitans pode ser encontrada no Parque Estadual da Cantareira (São Paulo). A vocalização produzida pelo osso hióide, (pequeno osso situado entre a laringe e a base da língua) que se transforma em caixa de ressonância por onde emite um som muito alto que pode ser ouvido por até 5km de distância, porém é ocultado pela barba. Existe uma frase muito comum, à qual as pessoas associam as vocalizações do bugio com a atividade pluviométrica. Quem nunca ouviu alguém dizer, “Guariba na serra – chuva na terra”? existe uma crendice em certas localidades flageladas pelo bócio, onde os curandeiros dizem fazer desaparecer o “papo”, ocasionado pela anomalia do cliente, aplicando água que tenha permanecido em uma vasilha formada pelo grande osso hióide dos bugios machos (devido à causa anatômica de seu grande papo). Foram muito caçados pelos índios, que apreciavam a sua carne. No Pará, as pessoas afirmam que a gordura do bugio não só combate qualquer inflamação, como também certos tumores. Garantem que a água bebida no “gogó” do primata serve para curar a asma. Os caçadores apreciam muito sua carne, mas ninguém tem coragem de servi-lo assado, sem antes destrinchá-lo, pois representa, perfeitamente, uma criança sobre uma travessa. Na Bahia, no século XVII, a carne do bugio era comercializada livremente, por ser considerada muito saborosa e nutritiva; sendo prescrita para as pessoas fracas e doentes. Quando atingido por flecha, o bugio grita de modo assustador, arranca as flechas do corpo e as quebra com gestos muito humanos. Recentemente foi registrada a presença deste animal na região do Embu das Artes.
Ameaças: tráfico de animais. A espécie encontra-se ameaçada de extinção, principalmente devido à destruição de seu habitat e também à caça indiscriminada. Sua carne e pele são muito apreciadas pelos índios e caboclos.
Não possui muitos predadores naturais. Um exemplo é a jaguatirica (Leopardus pardalis), predador que costuma temer. Outro grande predador é a águia-real ou harpia (Harpia harpyja). Mas não há nada de mais atemorizante do que a força destruidora da ação do homem.
Referências:
Fundação Parque Zoológico de São Paulo
www.zoologico.sp.gov.br . Acesso em 28/01/2008
Wikipedia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bugio Acesso em 28/01/2008.
Saúde Animal
http://www.saudeanimal.com.br/bugio.htm Acesso em 28/01/2008
Programa Macacos Urbanos – Universidade Federal Rio Grande do Sul / UFGRS
http://www.ufrgs.br/zoologia/macacosurbanos/bugio_primata.html Acesso em 28/01/2008.
Embrapa- monitoramento por satélite
http://www.faunacps.cnpm.Embrapa.br/mamífero/bugio.html Acesso em 28/01/2008.
IBAMA / CPB – Centro de Proteção de Primatas Brasileiros
http://www.Ibama.gov.br/cpb/index.php?arquivo=detalhe.php&pg=0&id_cad_geral=120&id_menu=104 Acesso em 30/01/2008.
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
http://www.fzb.rs.gov.br/novidades/bichomesbugioruivo.htm Acesso em 31/01/2008.
Vida de Cão / colaboração de Luccas Longo
http://www.vidadecao.com.br/cao/index2.asp?menu=curiosidade_bugio.htm Acesso em 31/01/2008
Crédito das imagens:
http://www.ulbra.br/ceulbra/imagens/bugio.jpg Acesso em 05/07/2009.
Foto do diorama: Paulo Barbuto.
Elaborado pelo Prof. Marcelo Suehara.